sábado, 14 de julho de 2012

Lorraine, meu-ainda-amor;

Falamos-nos agora menos vezes do que as vezes em que um no outro pensamos. O ardente e perene amor vai-se compenetrando na nossa caixinha de Pandora, compactado e preso a uma caixa que nunca jamais teria o tamanho do colosso que resguarda. A vida está a mudar e com ela o que eu sinto por ti. afinal existem outras dádivas ( e escrevo-o com letra pequena pois, DÁDIva, assim escrito, somente a ti pertence) e o meu coração enche-se de sangue pulsante e vibrante sempre que ao lado dela estou. O azul cintilante dos seus rasgados olhos, a boca vermelha em pálida pele, os cabelos loiros pintados de fogo e o seu jeito Poloníco são como uma rosa num deserto de beleza ignóbil e materialista. Fiz de tudo para me apaixonar. Delineei planos, tácticas e estratégias não para a ter, isso veio ao acaso, mas sim para me quedar embebecido e perdidamente apaixonado por ela. Soneguei-lhe um lenço para tornar o seu perfume no antídoto para o teu veneno e com o tempo tem resultado. Em beleza ela ultrapassa com certeza muitos dos mais belos espécimes da comunidade feminina e o seu jeito doce mas nórdico desafia-me subrepticiamente:
Sangue latino - Sangue nórdico-escandinávio; Olhos verdes - Olhos azuis; Sol e Praia; Gelo e Montanha.
Como dois círculos que se interpelam, e embora as salvas diferenças, existe um espaço eclipsal que encerra na perfeição dois apaixonados, Como dois núcleos presos, que funcionam melhor juntos e somente uma grande força pode quebrar essa ligação. Por isso mesmo guardei-te, já, bem fechada na caixa, por saber que só tu és essa força. Já te guardei. 2 anos e 14 dias depois desse famigerado dia 16 de Julho. Já uma bela abstinência. Contei-te isto tudo porque ela também quer três filhos e não se importaria de os ter a estudar italiano no Texas. Ah!!! e foi descoberto na Antárctida o primeiro caso de um pinguim bígamo. Afinal quando um escolhe o outro pode não ser para sempre.

Agora também me vou prostituir. não és só tu!!

Amo-te mas agora escondido, como sempre o fizes-te.

domingo, 13 de maio de 2012

Meu amor, Lorraine

Odeio Ideais! São esquizofrénicos. Padecem peganhosos no seu deleito de larva. Encerram-se em casúlos, restam-se lá olvidados do exterior.
Mesmo parados e emperdinados para sempre, propagam a sua virose como o polén na primevera. São tomadas como vitais e como propriedade imaculada sem sequer se darem á possibilidade de melhorar.
Se alguém realmente possui ideais que os abra, que os solte dos casúllos porcos em que vivem, reclusos e vadios. CORRE atrás dos teus ideais. Fá-lo por ti e por mim. Fá-lo para que me orgulhe de ti.
Vendes-te estupidamente, parvamente , idiotamente porque não corres atrás do teu ideal e foste apanhada por um outro, por seres o seu ideal e porque ele correu atrás, perseguiu-o. Eu corri atrás de ti mas tu fugis-te.
Agora tu propria vives numa jaula. És bloqueada ao melhoramento, enmuralhada intrinsicamente como a China. Cerrada na sua cultura, viva e turbulente, próspera mas não tanto. Atómica e atónica.
A pressão de tal vida abrirá um dia brechas e á primeira podes ter a certeza que so tu sofrerás porque o casúlo rebentado é feito dos teus sonhos e esperanças e uma vez detonados só restaram os fragmentos e esses nao contam História.
Por isso aceno-te em tom de lembrança: Eu ainda aqui estou para curar os sulcos mas não por muito tempo.

Até lá fode pouco, quero-te pelo menos comestível.