Meu amor, Lorraine
Odeio Ideais! São esquizofrénicos. Padecem peganhosos no seu deleito de larva. Encerram-se em casúlos, restam-se lá olvidados do exterior.
Mesmo parados e emperdinados para sempre, propagam a sua virose como o polén na primevera. São tomadas como vitais e como propriedade imaculada sem sequer se darem á possibilidade de melhorar.
Se alguém realmente possui ideais que os abra, que os solte dos casúllos porcos em que vivem, reclusos e vadios. CORRE atrás dos teus ideais. Fá-lo por ti e por mim. Fá-lo para que me orgulhe de ti.
Vendes-te estupidamente, parvamente , idiotamente porque não corres atrás do teu ideal e foste apanhada por um outro, por seres o seu ideal e porque ele correu atrás, perseguiu-o. Eu corri atrás de ti mas tu fugis-te.
Agora tu propria vives numa jaula. És bloqueada ao melhoramento, enmuralhada intrinsicamente como a China. Cerrada na sua cultura, viva e turbulente, próspera mas não tanto. Atómica e atónica.
A pressão de tal vida abrirá um dia brechas e á primeira podes ter a certeza que so tu sofrerás porque o casúlo rebentado é feito dos teus sonhos e esperanças e uma vez detonados só restaram os fragmentos e esses nao contam História.
Por isso aceno-te em tom de lembrança: Eu ainda aqui estou para curar os sulcos mas não por muito tempo.
Até lá fode pouco, quero-te pelo menos comestível.
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