Lorraine, sua puta.
Durante muito tempo acreditara- e isto talvez seja a minha versão da teoria de Sir Darius Xerxes de uma quarta função da exterioridade – que em todas as gerações há umas tantas almas, chamar-lhes-ias felizes ou desgraçadas, que não nasceram para se integrarem, que vieram a este mundo meio separadas, sem uma ligação forte á familiar, a um local, a uma nação ou a uma raça; pode até haver milhões de almas assim. Em suma este fenómeno pode ser uma manifestação da natureza tão “natural” como o seu oposto, mas que ao longo da historia dos homens tem sido frustrada por falta de oportunidades. E não só: porque as pessoas que dão mais valor á estabilidade e que teme tudo o que é transitório, incerto, mutável, construíram um poderoso sistema de estigmas e tabus contra o desenraizamento como força desestabilizadora e anti-social e assim nos os desenraizadores conformamos-nos a maior parte das vezes. fingem-se motivados por lealdades e solidariedades que realmente não sentem, escondem as suas identidades secretas sob a pela falsa das identidades marcadas com o selo de aprovação. Mas a verdade escapa-se dos seus sonhos. Sozinhos na cama ( porque todos nos estamos sós na noite mesmo que não durmamos sós) elevam-se pairam, fogem. E naqueles sonhos acordados permitidos pela sociedade (que os mesmo houveram cheio de falsos preceitos) os seus mitos, a sua arte,nas suas canções, celebram aqueles que não pertencem ao grupo. Veneram-nos a nós, aos diferentes, os fora-da-lei, os excêntricos. Aquilo que proibiram a eles mesmo, pagam bom dinheiro para admirar num teatro ou num cinema ou nas folhas de um livro. Nas suas bibliotecas fala-se verdade. O vadio, o assassino, o rebelde, o ladrão, o mutante, o banido, a mascara. Se não reconhecessem neles as necessidades que não podem preencher, não os inventariam vezes e vezes sem conta, em cada sitio, em todas a línguas, em todos os tempos, a cada passo. Assim que houve navios, correram para o mar, atravessando nos seus barquinhos de papel. Assim que houve automóveis, fizeram-se á estradas. Assim que houve aviões, voaram até aos locais mais inóspitos e remotos do planeta. Agora sonham com o lado escuro da lua, as planícies rochosas de Marte, os anéis de Saturno, as profundezas interestelares. Põe em orbita fotógrafos mecânicos, ou manda-os em viagens sem regresso até ás estrelas, comovem-se até ás lágrimas com as maravilhas que transmitem, sentem-se pequenos perante as grandiosas imagens de galáxias distantes que podem sustentar as nuvens no céu, dão nome a rochedos extraterrestres como se fossem animais de estimação. Procuram a urdidura do espaço, a demarcação dos limites do tempo. E é esta espécie que vive na ilusão de que gosta de ficar em casa e ter - como é que se diz? – Laços.
Quanto a nós, e talvez não haja assim tanta gente como nós ao fim ao cabo, Talvez sejamos de facto os desesestabilidadores( a palavra encontra-se escrita como pretendido) e os anti-anti-sociais e devêssemos ser proibidos. Somos os anormais-que-invejam-a-normalidade-para-se-poderem-amoralizarem-dos-anormais. Esta é a minha opinião e todos temos direito ás nossas opiniões. Quando tiver filhos só direi: Durmam bem queridos. Durmam bem e maus sonhos
Fode com quantos queiras.
P.S: Apeteceu-me desabafar. Tambem cobras por isso?
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