Pois, Lorraine;
Amor é aquele que se perde para um dia ser encontrado, adormecido e inerbe num canto recôndito e sombrio do coração. Aquele que outrora grande fora mas que depois de ressuscitado toma uma dimenção imensurável. e se o que te escrevo padecer de incerteza e correcto for então a tua tortura um dia tomará forma de saga e o segundo capítulo de um desconhecido e infame filme terá início mesmo contra a vontade do protagonista. Com isto escrevo-te, dizendo, que embora admita a possibilidade de te manter, tesouro, no meu coração, por agora o brilho que encandiava a minha escura vida, morreu. Como na fase final de uma estrela morres-te preteritamente para mim. ( e começas-te ao contrário, Primeiro foste um buraco negroque vacuou tudo para que depois fizesses brilhar a tua estrela). Estou na Terra-de-Nínguem consequentemente com pessoas que não quero de forma alguma e precisaria teoricamente de ti. Esse era o esperado. Era expectável que chorasse mais por ti com a distância do que o que fizera antes. Mas, "longe da vista, longe do coração", e isso esclarece-me indubitavelmente, porem contraditoriamente, que não te posso ver pelos menos até que te deixes de prostituir. Até lá padeces adormecida, invernada até ao dia que vir que nada te fará voltar para os braços do género masculino em geral desprezando estes que estarão sempre bem abertos.
com o beijo que nunca te dei.
espero um dia voltar a ter-te minha concubina.
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